2008-01-25 Exageros pela vaidade

Exageros pela vaidade


A busca sem limites pela beleza e pelo corpo perfeito pode trazer riscos e danos à saúde

Por CARINA RABELO E CLAUDIA JORDÃO

Lábios carnudos, seios empinados, bumbum durinho e medidas de modelo. Basta ligar a tevê, folhear as revistas ou observar os outdoors para perceber que são essas as principais armas de beleza e sedução das mulheres. Como nem todas nascem com esses atributos ou se contentam com a maneira como vieram ao mundo, a insatisfação com a aparência pode desencadear uma vaidade desenfreada. Com isso, muitas mulheres (e homens também) estão se sujeitando a procedimentos estéticos que nem sempre conseguem, em um passe de mágica, transformá-las em princesas. Pior: muitas vezes, as deixam deformadas ou com problemas de saúde – por causa de barbeiragens médicas, produtos perigosos e irresponsabilidade delas próprias. Na tentativa de contornar a genética ou driblar a lei da gravidade, vale tudo: cirurgias, implantes, preenchimentos, lipoaspirações, escovas definitivas, bronzeamento artificial, remédios para emagrecer, além de muita malhação.

Na maioria das vezes, essas pessoas estão atrás de pequenas mudanças e se deparam com grandes problemas. É o caso da nutricionista Beatriz Guedes, 50 anos. Há quatro anos, ela decidiu eliminar a ruga de expressão ao redor dos lábios. Com a idade, essa marca fica mais profunda e torna mais nítida a passagem do tempo. Para isso, recorreu a uma técnica de preenchimento estético (aplicação de substâncias com o objetivo de eliminar rugas, sulcos e pequenos defeitos na pele). Sem conhecer nada sobre o assunto, comprou gato por lebre. “O médico me disse que aplicaria um produto que seria absorvido pelo organismo e só três anos depois eu soube que era Meta Crill”, diz.

O Meta Crill é o nome comercial do polimetilmetacrilato (PMMA), uma substância sintética. Um ano após a aplicação, surgiram duas bolinhas ao lado de seus lábios. Beatriz não se incomodou e conviveu bem com elas por dois anos. Até que a região inflamou. “Foi aí que começou meu calvário”, conta. Para debelar a inflamação, Beatriz tomou injeções de corticóide, cortizona e antiinflamatórios por um ano. Além disso, fez uma cirurgia para extrair um abscesso. Ainda com inflamações, Beatriz reconhece que seria mais fácil conviver com sua ruga a enfrentar as dificuldades de hoje. “Não preciso nem dizer que me arrependi, né?”

E, infelizmente, sua luta pode durar para sempre, pois o produto aplicado em seu organismo não é absorvido. Sem saber, no dia que eliminou a sua ruga, Beatriz passou por uma bioplastia – conhecida como “plástica sem cortes”. A técnica promete contornos perfeitos com uma ou duas agulhadas, além de eliminar os riscos das cirurgias e dispensar pós-operatório. O produto é injetado na pele ou no músculo e prontamente moldado pelo médico. É utilizado com fins estéticos há dez anos. Só no Rio de Janeiro, são usados 60 litros do produto por mês. Apesar de ser licenciado pelo Ministério da Saúde e pela Anvisa, o PMMA é uma substância perigosa se aplicada em locais como boca, bochecha e bumbum. Entre os possíveis problemas estão a migração do produto para outro local do corpo, como aconteceu com Beatriz, inflamação, inchaço, reação alérgica e necrose de tecidos – neste caso, conseqüência da aplicação errada. “A bioplastia é uma bomba de efeito retardado. Se ainda não deu problema, vai dar”, arrisca-se a dizer Carlos Alberto Jaimovich, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). Segundo ele, há casos de aplicações malsucedidas até mesmo quando realizadas por profissionais habilitados como cirurgiões.

Mesmo procedimentos considerados “inofensivos” e não-invasivos, como bronzeamento artificial, podem trazer conseqüências graves. A estudante de hotelaria Andréa Santos Lindner, 34 anos, queria apenas dar manutenção ao tom bronzeado da pele porque, apesar de morar no Rio, não era de freqüentar a praia. Para manter o corpo dourado, recorria ao bronzeamento artificial. Pouca gente sabe, mas a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) condena formalmente o procedimento, que pode causar envelhecimento precoce e câncer de pele. Em março passado, Andréa fez sessões em dois dias seguidos, o que não é recomendável, e teve 90% do corpo queimado. Ainda não se sabe o que aconteceu. Suspeita-se que ela tenha feito mais sessões que seu corpo suportaria ou em intensidade superior à indicada.

Instruída a não dar entrevistas por seu advogado, ela resume, por telefone, a dura rotina e a experiência passada com apenas duas frases. “Ainda estou em tratamento e não posso com o sol, nem mesmo com a claridade”, diz ela. “Foi um susto.” Andréa move processo cível contra a clínica Marli Machado, na Barra da Tijuca, no Rio, onde fez as sessões, e seu advogado aguarda a conclusão dos laudos referentes à máquina de bronzeamento e à pele de sua cliente para decidir se move processo criminal. Na época, a dona da clínica disse que Andréa era muito vaidosa e que ela, anteriormente, havia procurado o local com a intenção de fazer sete sessões de bronzeamento artificial seguidas. A informação não foi confirmada pela família de Andréa.

No caso de Andréa, não é possível afirmar que ela sabia dos riscos que corria. Mas a funcionária pública Claudia Abreu, 42 anos, por exemplo, se arriscou para não perder um dia de praia. Após uma sessão de depilação a laser que a deixou com feridas, ela resolveu surfar usando protetor solar. A pele ficou ainda mais irritada e Claudia cometeu outra imprudência. Passou auto-bronzeador no local da queimadura para esconder as manchas. Um erro grave. “Não se pode tomar sol, nem colocar produtos químicos em uma pele em fase de cicatrização”, alerta Jackeline Mota, diretora regional da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

Os procedimentos estéticos que eventualmente deixam marcas nas mulheres também podem acontecer longe de hospitais e clínicas de saúde. Às vezes, uma simples visita ao cabeleireiro pode trazer um problemão. O vilão dos salões de beleza é o formol. A Anvisa proíbe a presença da substância química nas fórmulas dos produtos usados para fazer escovas progressivas, mas nem sempre cabeleireiros respeitam a medida. O formol é usado porque é eficaz no alisamento de fios e dispensa outros produtos, mais caros, como a amônia, na fórmula. Em março de 2007, a goiana Maria Ení da Silva morreu após uma escova progressiva. No produto aplicado em seus cabelos havia 20% de formol, conforme laudo.

A paraibana Juliana Santos, 24 anos, também sofreu em sua busca por madeixas lisas. Ela ficou com o pescoço inchado e duro, logo após fazer uma escova progressiva, em junho. “Depois soube que tinha formol na fórmula”, diz ela. “No dia seguinte, eu estava um monstro, com o rosto todo inchado.” Para melhorar, a estudante tomou corticóides e medicação intravenosa durante duas semanas. Teve uma reação alérgica e quase foi vítima de um edema de glote. A internet virou uma perigosa terra sem lei para proliferação desses casos. De forma irresponsável, comunidades no Orkut divulgam fórmulas caseiras para a escova progressiva e a novidade tem feito a cabeça de garotas, que se expõem por desinformação e por irresponsabilidade ao formol.

Entre os insatisfeitos com a imagem, os que sofrem o maior bombardeio de soluções mágicas são os que estão acima do peso. Muitas vezes, o desespero faz com que eles apelem para todo tipo de remédios, fórmulas e dietas. A estudante de nutrição Diana Neves, 24 anos, é exemplo de quem já tentou quase tudo para emagrecer. Aos 16 anos, se submeteu a uma dieta de apenas 300 calorias por dia, eliminando carboidrato e gordura. Perdeu 13 kg em um mês, mas pagou um preço alto. Dois anos depois, teve que operar a vesícula, lesionada pela alta restrição alimentar. Sem poder continuar a dieta, partiu para um coquetel de medicamentos, anfetaminas e fórmulas, que misturavam hormônios, antidepressivos e inibidores de apetite. “Trabalhei a minha auto-estima, perdi oito quilos e não engordei mais”, diz. Apesar de estar longe das medidas perfeitas – com 1,58 m de altura e 80 kg –, Diana conseguiu aceitar seu corpo trabalhando sua mente. “Hoje, consigo ir à praia com as minhas amigas magras”, comemora. “Estas fórmulas levam a um falso emagrecimento, pois eliminam músculos. Quando a medicação é suspensa, os pacientes engordam ainda mais”, alerta Amélio Godoy- Matos, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia.

Uma pesquisa das Universidades Federal e Estadual do Rio de Janeiro aponta que não são só as gordinhas que recorrem aos remédios para emagrecer. O estudo revela que 20% das mulheres que já tomaram medicamentos para emagrecer estavam abaixo do índice de gordura indicado. Segundo especialistas, o problema está também na sociedade de hoje. “A partir da década de 80, com a proliferação das academias de ginástica e o culto ao corpo malhado, a vaidade passou a ser determinante para a inserção social do indivíduo”, explica Rejane Sbrissa, psicóloga, especialista em transtorno alimentar.

A busca pela beleza a qualquer preço também alcança celebridades. As atrizes sentem como ninguém a pressão para estarem bonitas sempre, independentemente do passar dos anos. E, muitas vezes, erram na escolha do procedimento e do profissional. No caso delas, se der errado, pode resultar também na perda de contratos profissionais. A atriz americana Meg Ryan, 45 anos, está com o rosto visivelmente diferente e os especialistas acreditam que ela fez um preenchimento malsucedido, pois ela surgiu, de repente, com lábios e bochechas inchados. Ou seja, além de não disfarçar a idade, a intervenção, claramente exagerada, mudou as feições da atriz. Segundo o jornal The Washington Post, ela estaria perdendo trabalhos por causa da aparência. Outra atriz vítima da vaidade, Jane Fonda, 69 anos, conviveu por 25 anos com anorexia e bulimia – transtornos alimentares – e recentemente teve de se submeter a uma operação no quadril após uma crise de osteoartrite, desencadeada pelo excesso de atividades físicas. Fonda era ícone da malhação nos anos 80.

Segundo Carlos Alberto Jaimovich, há pessoas com fixação por beleza e juventude, independentemente de classe social, nível cultural e formação. “Quando a pessoa bota na cabeça que quer rejuvenescer, ela acredita no primeiro produto que aparece na sua frente e deixa para trás todo o bom senso”, diz ele. Para retardar o envelhecimento, a jornalista Glória Maria, idade não revelada e 35 anos de carreira, cuida do corpo com caminhadas, ioga e pilates e usa “um monte de cremes” para renovar a pele e as células. Além disso, toma 60 pílulas naturais por dia e uma sopa “milagrosa” feita com ninhos de um pequeno pássaro asiático que traz da China e Tailândia. “Se ouço dizer que faz bem e é natural, eu tomo”, diz ela, sem se preocupar com o fato de os produtos não serem reconhecidos pelo Ministério da Saúde. É importante ressaltar que a vaidade em si não é pecado – o problema é quando o sentimento começa a pôr em risco a saúde da pessoa. “Quem é excessivamente vaidoso precisa ouvir muitos elogios dos outros, pois quer ser aceito pela beleza. A vaidade saudável não necessita dessa aprovação externa”, diz a psicóloga Olga Tessari.

Matéria publicada na Revista Isto É, em 11 de janeiro de 2008.


Sergio Rodrigues* comenta

Em "O Evangelho segundo o Espiritismo", Allan Kardec nos traz uma mensagem do espírito Jorge, um Espírito Protetor, datada de 1.863. Nesta mensagem, o Espírito orientador fala da necessidade de se cuidar do corpo e do espírito, para se atingir a perfeição moral. Orienta a cuidarmos dos dois, pois é equivocado cuidar-se apenas de um deles, esclarecendo que o estado do corpo físico influi de maneira muito importante sobre o espírito, que precisa de um corpo são para poder realizar suas conquistas. Ambos, espírito e corpo físico, são mutuamente dependentes, importando que se dedique aos dois os mesmos cuidados. Desatender às necessidades de um deles é contrariar as leis naturais.

A reencarnação é o instrumento pedagógico de que Deus se utiliza para proporcionar ao espírito a oportunidade de evolução  rumo à perfeição possível, que, uma vez alcançada, fá-lo-á conhecer a felicidade verdadeira, definitiva, a felicidade dos espíritos já inteiramente depurados. O corpo material que utilizamos durante a reencarnação, na verdade, como tudo o que existe na Natureza, não nos pertence, pois o utilizamos por empréstimo do Criador. Ao desencarnarmos, não o levaremos para o mundo espiritual e teremos que devolvê-lo à Natureza, para que a matéria que o constitui tenha o curso natural da lei de destruição. Por estarmos utilizando aquilo que não nos pertence, temos o dever de fazê-lo com zelo e seguir os ditames da lei de conservação. Toda e qualquer atitude que venhamos adotar e que nos desvie desse caminho repercutirá sobre nós mesmos, inevitavelmente, por força da lei de causa e efeito a que estamos submetidos, em forma de resgates a que seremos chamados a satisfazer.

A questão do embelezamento corporal, por intermédio das diversas técnicas mencionadas na matéria, qualquer que seja a parte do corpo envolvida, é complexa e deve ser analisada conforme cada caso. Primeiramente, deve-se indagar a intenção com que a ambicionada beleza é buscada. Quando o objetivo é proporcionar uma convivência mais confortável do espírito em relação ao corpo, eliminando eventuais incômodos que estejam sendo percebidos ou mesmo embelezando-o com o objetivo de fazê-lo sentir-se melhor, mais à vontade, num corpo saudável e esteticamente mais agradável, é perfeitamente aceitável e nada vemos que contrarie a lei natural. Ao contrário, isto certamente aumentará a sua auto-estima, com reflexos positivos nas suas ações, nos seus pensamentos e até nos sentimentos praticados. Por outro lado, se a busca da beleza visa atender exclusivamente o excesso de vaidade que o espírito ainda traz em sua personalidade ou é levada a efeito por motivos puramente sensuais, objetivando apropriar o corpo apenas para o exibicionismo ou mesmo para obter vantagens materiais, quaisquer que sejam, a pessoa estará, neste caso, contrariando a Lei Natural, o que deverá gerar conseqüências dolorosas na vida futura, tanto no plano espiritual, como na nova reencarnação.

Outro aspecto a ser considerado são as conseqüências que podem ser acarretadas ao corpo pela tentativa de embelezá-lo. Como dissemos, é uma obrigação do espírito encarnado zelar pela conservação de sua organização física. Observando-se este princípio, importa avaliar se a ação desenvolvida sobre o corpo, seja um procedimento mais agressivo, como uma intervenção cirúrgica ou não, pode lhe proporcionar algum dano. São os chamados efeitos colaterais resultantes do tratamento aplicado. A matéria comentada sugere que as técnicas de embelezamento mencionadas podem provocar algum tipo de distúrbio no funcionamento da nossa organização corporal. Se a pessoa estiver consciente desses riscos e, ainda assim, optar pela sua adoção, poderá estar causando uma lesão que extrapola os limites materiais e vai repercutir em seu corpo espiritual. Nesta hipótese, as conseqüências podem se manifestar na própria reencarnação ou serem levadas após o desenlace, fazendo-se refletir na formação do novo corpo físico, em reencarnações futuras.

É preciso, portanto, muita cautela e equilíbrio ao se tomar uma decisão no sentido de promover o embelezamento do corpo físico. Cirurgias e adereços muito invasivos podem trazer problemas futuros, por vezes de extensão que sequer imaginamos e que podem ultrapassar o limite da existência.

*Sergio Rodrigues é espírita e colaborador do Espiritismo.Net.



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